terça-feira, 7 de agosto de 2012

Cicatrizar!


Marcas são o que restaram. Marcas de um passado bom. Marcas da “raia” da bicicleta onde enfiei meu pé inúmeras vezes enquanto estava na garupa. Marcas da velha bicicleta rosa, e de como me senti ao dar a primeira volta sem as rodinhas, um grito por liberdade. Marcas do antigo número xx, do pé de amora, seringuela, acerola e ameixa. Marcas da Rua Duque de Caxias, onde aprendi a contar as “primeiras” mentiras. Marcas das salas de catequese, do salão paroquial, dos ensaios e apresentações, e das ajudas nos casamentos. Marcas do primeiro beijo, primeiro “amor” e primeira “desilusão” também. Marcas daquele doce caseiro, do cheiro de naftalina que casa de avó tem. Marcas das brigas entre primas. Marcas do vôlei, da bets, do “golzinho”, do duro ou mole (americano ou não), pega-pega e esconde-esconde. Marcas do primeiro vídeo-game. Marcas da antiga escola, do papel higiênico no teto, das estrelinhas e da foto 3x4 que todo ano tirávamos. Marcas da sorveteria na esquina e da locadora ao lado. Marcas do que se foi e por agora não voltará. Marcas que jamais irão se cicatrizar. Marcas, que mesmo parecendo “insignificantes pra alguns” são meu alicerce. Marcas, que me mostram dia a dia quem eu sou, e que me motivam a continuar (...).

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